Juros mais altos reduzem parcela de carros comprados com financiamento

A taxa de carros usados vendidos com financiamento caiu significativamente. Em 2010, as instituições financeiras representaram 1% do volume de negócios. Em 2022, esse índice caiu para 33%.

O aumento das taxas de juros afetou diretamente o mercado brasileiro de veículos. A parcela de carros comprados com financiamento diminuiu.

O mundo dos carros aguarda os compradores. O proprietário da concessionária, Ivan Queiroz, atua no mercado de carros usados há 40 anos. Ele diz que costumava ser normal vender de 15 a 20 carros por mês, mas diz que a média em 2022 foi de 10.

“A gente não tem muito o que fazer, porque essa taxa de juros não depende da gente. Fora isso, ainda teve aumento do preço da mercadoria. Os carros zero subiram muito e o usado acompanhou. Então, um carro que há dois, três anos custava R$ 40 mil, hoje custa R$ 70 mil”, ressalta Ivan Queiroz.

A taxa de carros usados vendidos com financiamento caiu significativamente. Em 2010, as instituições financeiras representaram 1% do volume de negócios. Em 2022, esse índice caiu para 33%.

A queda foi muito maior em novos mercados; Há 12 anos, quase 70% eram financiados. Um declínio de 37% em 2022, uma baixa da temporada.

Raphael Galante é economista especializado no mercado automotivo. Ele explica que uma série de fatores criou uma tempestade perfeita para esse tipo de corte de vendas. Além dos preços altos, há também altas taxas de juros – cerca de 1,88% ao mês, quase a mesma taxa de juros de 2016, com uma diferença: o poder de compra dos brasileiros diminuiu.

“Quem mais está perdendo no momento é aquele consumidor mais simples. Quando o banco acaba dificultando ou não abrindo tanto a linha de crédito, ele está fazendo uma pré-seleção. Então, ele só está financiando para quem realmente tem um excelente score ou de repente tem grande capacidade de pagamento. Aquele consumidor que trabalhou, juntou dinheiro, precisa financiar para comprar um carro, ele não está tendo linha de crédito para comprar”, afirma o economista da Oikonomia Consultoria Automotiva.

Fábio Portugal é um motorista de aplicativo. Perdeu o carro em um assalto e teve que comprar outro sem entrada, parcelado em 48 vezes. Nessas circunstâncias, acabou pagando R$ 110 mil. À vista, o carro custaria R$ 60 mil.

As locadoras compraram cerca de 575.000 carros de passeio e comerciais leves em 2022, quase 30% do total de vendas de carros novos no Brasil, ajudando o setor a manter as vendas quase estáveis mesmo sem consumidores sem financiamento.

“É importante ressaltar que, lá fora, nós chegamos a ter em alguns momentos, em alguns países – como na Europa -, que 70% da frota tem um modelo de locação. Aqui no Brasil, não chegamos a 20% do mercado potencial do nosso negócio. Então, estamos começando o negócio, o negócio está engatinhando”, explica Marco Aurélio Nazaré, presidente da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis.

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